O fim da escala 6x1 está cada vez mais próximo. Em 14 de outubro de 2026, o Senado Federal aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê a redução da jornada máxima de trabalho e a ampliação do descanso semanal remunerado.
A mudança prevê uma transição gradual: primeiro, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas, com dois dias de descanso remunerado por semana.
Depois, o limite chegará a 40 horas semanais.Mas, afinal, a escala 6x1 vai acabar ainda em 2026? Quando as novas regras começam a valer? E como as empresas devem se preparar para reorganizar suas equipes?
Neste artigo, a RB Consult RH explica as etapas da mudança e apresenta os principais pontos que empregadores e profissionais de Recursos Humanos precisam acompanhar.
A escala 6x1 vai acabar em 2026?
A previsão é que a mudança comece a produzir efeitos ainda em 2026, mas isso depende da promulgação e da publicação da emenda constitucional.
A aprovação pelo Senado representa uma etapa decisiva do processo legislativo. Entretanto, em 15 de outubro de 2026, a proposta ainda aguardava a formalização necessária para que os novos limites de jornada entrassem em vigor.
De acordo com as informações divulgadas pelo Senado Federal, a PEC prevê a redução progressiva da jornada máxima semanal, sem redução salarial, e estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Portanto, as empresas não devem considerar a mudança automaticamente vigente apenas porque a proposta foi aprovada. É necessário acompanhar a publicação oficial para confirmar a data de início e os prazos aplicáveis.
Como será a mudança da escala 6x1? Veja as etapas
A transição prevista na PEC será realizada em duas etapas. Os prazos são contados a partir da publicação da emenda, e não simplesmente da data da votação no Senado.
1. Primeira etapa: jornada máxima de 42 horas semanais
Dois meses após a publicação da emenda, a jornada máxima semanal passará de 44 para 42 horas, com dois dias de descanso remunerado por semana.
Essa etapa exigirá que as empresas revisem suas escalas, distribuam as horas de trabalho e avaliem a necessidade de reorganizar turnos e equipes.
Para organizações que funcionam diariamente, como supermercados, postos de combustíveis, restaurantes, indústrias e serviços de atendimento, será especialmente importante avaliar a cobertura operacional sem ultrapassar os novos limites.
2. Segunda etapa: jornada máxima de 40 horas semanais
Um ano após o início da primeira etapa — ou seja, um ano e dois meses após a publicação da emenda —, a jornada máxima será reduzida para 40 horas semanais.A proposta estabelece o limite de até oito horas por dia e dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
Essa mudança exigirá um planejamento mais amplo da capacidade operacional, considerando o volume de trabalho, os horários de funcionamento, a produtividade e a distribuição das responsabilidades entre os profissionais.
Atenção: as datas exatas dependerão da publicação oficial da emenda. Por isso, não é correto afirmar que todos os trabalhadores passarão obrigatoriamente para 42 horas em dezembro de 2026 sem confirmar o marco legal.
O que muda para as empresas com o fim da escala 6x1?
A mudança não envolve apenas a quantidade de horas trabalhadas. Ela também exige uma revisão da organização do trabalho.
Empresas que dependem de atendimento contínuo ou de equipes presenciais precisarão avaliar como manter a operação funcionando com novos limites de jornada e descanso.Entre os principais pontos de atenção estão:
1. Dimensionamento das equipes: verificar se o quadro atual é suficiente para cobrir os horários de funcionamento.
2. Revisão das escalas: reorganizar turnos, folgas e jornadas conforme as novas regras.
3. Custos operacionais: avaliar a necessidade de contratações adicionais, horas extras permitidas e redistribuição de atividades.
4. Produtividade: identificar oportunidades para melhorar processos e reduzir tarefas que não agregam valor.
5. Conformidade trabalhista: revisar contratos, controles de jornada e instrumentos coletivos aplicáveis.A adequação precisa considerar as características de cada negócio.
Uma empresa administrativa com expediente comercial, por exemplo, possui necessidades diferentes das de um posto de combustíveis ou de uma indústria que opera em turnos.
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O que o RH deve fazer para não ser pego de surpresa com o fim da escala 6x1?
O setor de Recursos Humanos terá papel importante na transição, atuando em conjunto com as lideranças e a direção da empresa.
O primeiro passo é mapear as jornadas praticadas atualmente e identificar quais equipes serão afetadas.
Em seguida, será necessário simular alternativas de escalas e avaliar seus impactos sobre os custos, a produtividade e a continuidade da operação.Uma preparação estruturada pode incluir:
A) Diagnóstico das jornadas atuais: levantar horários, escalas, folgas, horas extras e necessidades de cobertura.
B) Simulação de cenários: comparar diferentes possibilidades de distribuição das jornadas e equipes.
C) Planejamento do quadro de pessoal: identificar eventuais necessidades de contratação ou redistribuição de profissionais.
D) Revisão de processos: avaliar oportunidades de automação, melhoria operacional e eliminação de desperdícios.
E) Orientação das lideranças: preparar gestores para organizar equipes e acompanhar resultados dentro das novas regras.
F) Acompanhamento jurídico e trabalhista: verificar a versão promulgada da emenda, as normas coletivas aplicáveis e eventuais regulamentações complementares.
Esse planejamento permite que a empresa tome decisões com base em dados, em vez de reagir às mudanças apenas quando os novos limites começarem a valer.
A mudança da escala 6x1 exige mais eficiência na gestão de pessoas
A redução da jornada máxima semanal traz um desafio importante para as organizações: como manter a qualidade do serviço, a produtividade e a continuidade operacional respeitando os novos limites de trabalho?
A resposta não está necessariamente em aumentar o ritmo de trabalho dos profissionais. É preciso analisar a distribuição das atividades, os processos, as competências das equipes e a forma como os gestores organizam a operação.
Uma gestão de pessoas estruturada ajuda a identificar gargalos, planejar contratações, desenvolver lideranças e construir escalas mais adequadas às necessidades do negócio.
Nesse contexto, a transição pode ser também uma oportunidade para rever práticas de gestão, melhorar a organização do trabalho e fortalecer a experiência dos colaboradores.
A escala 6x1 será extinta em todos os casos?
A aplicação das novas regras deverá observar o texto definitivo da emenda constitucional e as condições previstas para situações específicas.
As informações divulgadas pelo Senado indicam exceções para servidores públicos e para empregados com diploma de nível superior que recebam remuneração igual ou superior ao limite previsto na proposta, de aproximadamente R$ 21.188 mensais.
Também é necessário acompanhar as disposições sobre negociação coletiva e eventuais regimes específicos. A existência de acordos ou convenções coletivas não deve ser interpretada como autorização automática para ignorar os novos limites constitucionais.
Por isso, empresas e profissionais devem consultar o texto promulgado e buscar orientação especializada antes de alterar suas práticas de jornada.
Como a RB Consult RH pode ajudar sua empresa a se preparar?
A RB Consult RH apoia organizações na estruturação de Recursos Humanos, no recrutamento e seleção, no desenvolvimento de lideranças e na melhoria dos processos de gestão de pessoas.
Diante das mudanças previstas para a escala 6x1, as empresas podem se beneficiar de um diagnóstico de suas equipes, de um planejamento de dimensionamento de pessoal e da revisão dos processos que influenciam a produtividade e a organização do trabalho.
A preparação antecipada permite avaliar alternativas, identificar necessidades de contratação e apoiar os gestores na construção de uma operação mais eficiente, respeitando a legislação aplicável.
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Fontes e atualização:
Este conteúdo considera as informações divulgadas pelo Senado Federal em 14 e 15 de outubro de 2026 sobre a aprovação da PEC 221/2019. Como a entrada em vigor depende da formalização e publicação da emenda, os prazos devem ser conferidos nas fontes oficiais antes de decisões operacionais ou trabalhistas:
Senado Federal — aprovação da PEC do fim da escala 6x1
TV Senado — etapas e regras previstas para a nova jornada


